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equilibrista

Esse eu fiz lá no Maria Teresa Vieira.

Em breve esse blog vai ficar mais desatualizado do que é, já que minha imaginação resolveu fazer greve e minha mão resolveu parar de desenhar. esses últimos trabalhos são bem antigos, que eu reuni e consegui scannear.

“A função do leitor/1

Quando Lúcia Peláez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos
pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lúcia tinharoubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livrospreferidos. Muito caminhou Lúcia, enquanto passavam-se os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antióquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas. Muito caminhou Lúcia, e ao longo de seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com seus olhos, na infância. Lúcia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela.”

(Eduardo Galeano – O Livro dos Abraços)

sugestão de música: Nessa Cidade – Vanguart.

beijo procês

 

amarelo manga

Pra um dia bonito como esse, aí vai um dos trabalhos que eu mais gostei de fazer na vida. um demônio, uma cicatriz e o fogo.

beijo procês

homem se desespera sob quadro negro

Esse é especial para mamãe, que tanto gosta desse desenho.

Ele é foi feito com nanquim (bico de pena e pincel) e  café.

sugestão de música: inside job – pearl jam

 

Com pedaços de mim eu monto um ser atônito (manoel de barros)

nanquim e vieux-chene.

o pensamento fica lá detrás do mundo

Eu finalmente consegui scannear os desenhos pra postar.

ele é nanquim sobre papel couché.

 

 

 

esse não tem desenho

como alguns amigos meus próximos sabem, eu amo gatos. e eles também sabem sobre a minha teoria sobre os felinos domesticados: também amo cachorros, mas as pessoas só o acham melhor amigo do homem porque é bicho subserviente. o gato não, o gato vem quando quer.

eu tenho um gato bem gordo e branco, com olhos vesgos de tão azuis. e eles tremem. nunca param de tremer. ele perdeu um dos caninos em briga de rua, assim como parte do seu rabo e tem pneumonia. ele tá velho, dá pra ver isso em como ele se move. ele espirra e tosse (acredite ou não).

dormindo que nem um ancião no sofá, ele começa a tossir como que engasgasse. eu me desespero e tento acalmar, fazer carinho… e ele… ele tá calmo. e ainda tosse.

o que eu acho bizarro nesse mundo é que é tudo uma angústia só. tudo é passível de uma espiral eterna, dos pensamentos mais sombrios, de ligações difíceis de aguentar. eu sei disso. eu sinto isso todos os dias da minha vida. meu estômago dói com a fumaça, com a escrotidão, com a convivência comigo mesma. a leveza que eu aparentemente trago no rosto se reflete em uma saúde quase frágil, em um olho tão pequeno pra poder não ver (porque se ele fosse grande o choro ia ser inevitável em todos os momentos).

e o gato branco e velho não se desespera. ele tosse, pode morrer disso. e não se desespera. eu, ser humano imbecil, acabo atrapalhando sua insistente e contínua tentativa de solucionar o problema. a vida fez sentido por um segundo: a Natureza, mesmo que domesticada, não é boa nem má. não é bonita nem feia, desesperada ou alegre. a Natureza só É. percebem? mesmo que quase à morte, ele ficou calmo.

o tempo me faz sentir parte da Natureza. dessa Natureza que não tem nome, nem cor (porque possui todas). a vida é estranha pra cacete, tem mil roda-vivas. mas, olha, a Natureza continua. apesar de apesar de apesar de A PESAR de. ela continua e continua e continua. não tem personalidade, querer, desejo, vontade. é pralém do que a gente consegue conceber. ela passa.

e não há tristeza nenhuma nisso.

me dá um sensação absurda de que estou viva e de que o mundo é maior. o mundo é maior. o cheiro da terra, o pé na areia, a pedra chutada, o sol de inverno, o tato do mar.

e depois disso tudo, o gato velho e branco dorme como uma criança que esconde os olhos porque está muito claro.

marjane

Bom, isso aqui tá meio abandonado. Esse desenho eu fiz hoje, depois de devorar quase todo o “Persépolis”, que minha amiga Bárbara me emprestou. Eu fiquei encantada. Já tinha visto o filme, mas não é a mesma coisa. Quando fiz um intervalo na leitura, não queria falar. É tudo mágico. O modo como Marjane Satrapi se entrega contando sua história, como ela sabe balancear leveza e angústia. Tudo lindo. Essa é minha homenagem a essa mulher que passou por tantas coisas e conseguiu fazer uma coisa tão bonita depois de tudo.

tomei vergonha na cara e scaneei os desenhos. mudei a imagem, tá melhor assim

foi feita com nanquim sobre papel vegetal e o fundo era pra ser vemelho de acrílica.

capoeira

Finalmente coisa nova! Então, esse eu fiz não sei quando láá na aula no Maria Teresa Vieira. A edição não é minha, um dia eu aprendo a fazer!

Esse foi feito com nanquim e papel couché

Falem ae. Beijo a todos os envolvidos. Só clicar na imagem que ela amplia.


“Isso era o que me irritava, Bruno, que se sentissem seguros. Seguros de quê?, diga lá, quando eu, um pobre-diabo com mais pestes que o demônio debaixo da pele, tinha bastante consciência para sentir que era tudo feito uma grande gelatina, que tudo ao redor tremia, que só precisava de um pouco de atenção, sentir um pouco, calar um pouco, descobrir os furos. Na porta, na cama: os furos”

O desenho é do Troche (http://portroche.blogspot.com/ – tô viciada nesses desenhos) e o texto é de um tal de Julio Cortázar.

Beijo procês

o moço de olhos abertos

Essa imagem tá escura porque eu não sei mexer nos desenhos (ainda), hehe. Quando eu souber, tudo vai ficar mais legal.

esse foi feito com carvão.

 

beijo

 

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